PMTA é a pressão máxima de trabalho admissível — o maior valor de pressão que aquele reservatório pode suportar em operação contínua, com segurança. Não é a pressão que o compressor entrega, nem a que o manômetro marca no dia a dia. É um limite de projeto.
Parece detalhe de engenheiro, mas é o número que amarra o laudo inteiro: define o ajuste da válvula de segurança, entra no cálculo que classifica o vaso dentro da NR-13 e, na prática, decide se a inspeção fecha ou não. Vaso sem PMTA documentada é vaso que não se consegue avaliar.
De onde sai a PMTA
Do projeto. O fabricante calcula a pressão admissível a partir da espessura da chapa, do material, do diâmetro, da tensão admissível daquele aço na temperatura de trabalho, da eficiência da solda e da sobrespessura prevista para corrosão. O resultado vai para a placa de identificação e para o prontuário do equipamento.
É por isso que a placa importa tanto. Ela não é etiqueta de patrimônio: é o documento de nascimento do vaso, rebitado nele.
E quando não existe placa nem prontuário
Acontece o tempo todo, principalmente em equipamento comprado usado, em reservatório repintado tantas vezes que a placa sumiu, e em compressor que veio junto com o barracão quando a empresa mudou de dono.
Nesse caso a PMTA precisa ser determinada por profissional habilitado. O caminho é o inverso do projeto: mede-se a espessura real da parede por ultrassom em vários pontos, identifica-se o material, levanta-se a geometria e recalcula-se qual pressão aquele vaso, no estado em que está hoje, ainda suporta com margem de segurança.
O resultado costuma surpreender. Um reservatório que trabalhava a 12 bar durante anos pode voltar do cálculo com PMTA menor, porque a corrosão comeu parte da espessura que o projeto original contava. Ele continua servindo — só não pode mais operar na pressão antiga.
A válvula de segurança obedece à PMTA
Essa é a consequência mais direta e a mais ignorada. A válvula de segurança existe para impedir que a pressão ultrapasse o limite do vaso, e o ponto em que ela abre é definido pela PMTA — não pela pressão de trabalho que o operador achou confortável.
Três erros clássicos que encontramos em campo:
- Válvula regulada acima da PMTA, para o compressor “render mais”. Anula a proteção inteira.
- Válvula travada, pintada ou substituída por bujão porque vivia abrindo. Se vive abrindo, o problema é o ajuste do pressostato, não a válvula.
- Válvula sem aferição e sem lacre. Sem registro de teste, ninguém sabe em que pressão ela realmente abre — inclusive quem depende dela.
A PMTA define a categoria do vaso
A NR-13 classifica vasos de pressão combinando o tipo de fluido com o produto entre pressão e volume. Quanto maior esse produto, maior o potencial de dano se o vaso romper, e mais rigoroso o regime de inspeção.
É aqui que muita gente se engana achando que compressor pequeno está fora. Um reservatório de 200 litros trabalhando a 8 bar já entra com folga no campo de aplicação da norma — e a conta que mostra isso parte justamente da pressão admissível.
Na prática: a PMTA não muda só o papel. Ela muda a periodicidade das inspeções, o tipo de exame exigido e a documentação que a fiscalização vai pedir.
Onde a PMTA precisa aparecer
- Na placa de identificação do vaso, legível e fixada nele.
- No prontuário, junto com o projeto, o material e o histórico.
- No relatório de inspeção, com a data e a assinatura de quem determinou.
- No registro de segurança, sempre que for recalculada.
Se a PMTA foi reduzida depois de uma medição de espessura, isso precisa estar escrito e comunicado a quem opera. Não adianta o engenheiro saber e o operador continuar ajustando o pressostato pelo costume antigo.
Perguntas frequentes
PMTA e pressão de trabalho são a mesma coisa?
Não. A pressão de trabalho é a que o equipamento usa no dia a dia. A PMTA é o teto que ele suporta com segurança. A de trabalho tem que ser sempre menor.
Perdi a placa do compressor. Ele está condenado?
Não. A PMTA pode ser determinada por profissional habilitado, a partir de medição de espessura e do levantamento das características do vaso. O equipamento volta a ter identificação e prontuário.
Posso aumentar a PMTA do meu vaso?
A PMTA não se aumenta por decisão administrativa. Ela é resultado de cálculo. O que pode acontecer é um recálculo apontar valor diferente do que estava registrado — para mais ou para menos — quando os dados reais do equipamento são levantados.
Compressor de oficina precisa disso tudo?
Se o reservatório está no campo de aplicação da NR-13, sim. Tamanho pequeno não isenta: o que define é a combinação de pressão e volume, e reservatórios comuns de oficina entram com folga.
Quem pode determinar a PMTA?
Profissional habilitado, com ART registrada no CREA. É cálculo estrutural, não estimativa.
Em resumo
A PMTA é o número que sustenta o resto. Sem ela, a válvula de segurança está regulada no escuro, a categoria do vaso é um chute e o laudo não tem base. Com ela, tudo o mais se encaixa.
Se o seu reservatório está sem placa, sem prontuário ou com a válvula de segurança sem aferição, veja como fazemos a inspeção NR-13 de compressor de ar e vaso de pressão, com medição de espessura e ART registrada no CREA.

Autor do Artigo
Ronne Leandro Silva — Engenheiro Mecânico e Engenheiro de Segurança do Trabalho (CREA/MG 142246321-4), pós-graduado em Ergonomia, em Psicologia do Trabalho e em Prevenção e Segurança Contra Incêndio e Pânico, Técnico em Segurança do Trabalho (registro MTE 17248) e Instrutor de Brigada de Incêndio registrado no CBMMG. Atua em segurança e saúde do trabalho desde 2010.
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